Dê
passos rápidos, se possível, corra. Corra e venha rápido. Tenho pressa.
Pressa de sentir o que sinto só, pressa de sentir no plural. Nós
sentimos. Quero assim, sem pensar que é cedo demais. Não quero um amor
destes corriqueiros cheios de um vazio maior que o sentimento. Quero
parar de manhazinha e ver teu sorriso, senti-lo na pele febril e sorrir
só por ter você aqui de verdade. Quero a cosquinha na barriga, quero
também o aconchego da tua voz e dos teus braços sempre abertos pra mim.
Tudo isso de muito, numa reciprocidade só nossa. Quero brigas,
desatenção, tropeços por estes caminhos só pra ter o prazer de fazer as
pazes, mostrar pro mundo que podemos superas essas desventuras. A vida
não é perfeita, a vida não é leveza o tempo todo. A vida é um pouco de
tudo e quero viver em ti, um muito. Quero poder entender cada traço
teus, decifrar teu timbre de voz e mergulhar no teu calor. Sem mistérios
ou mudanças. Quero sempre ter mais a descobrir, e mostrar. Mostrar o
que guardo em segredo, o que tento demonstrar na voz, no beijo, no
afago. De mim para ti envolto num laço todo atado em luz e esperança.
Esperança de ter sempre tua mão afagando meu cabelo, limpando as
lágrimas e teu sorriso iluminado o meu. Não quero muito da vida, não
quero que ela seja grandiosa com riquezas que o tempo leva… Quero amor,
além de um simples relacionamento que cai na rotina da vida. Quero amor
de janeiro a janeiro, cheio de brigas e reconciliações. Porque enquanto
for assim dura, dura na teimosia do coração e perdura na mente. Não sai,
não desata, não termina, não seca. Permanece vívido, só em nós. Onde
deve estar. Sem desistir, sem querer jogar pro alto ou deixar esquecido
num ser meia-boca. Amor pra se guardar numa caixa enfeitada, nas
lembranças dos beijos, dos momentos que não se perdem, do que é cheio de
nós. Sem amar a sós. Amor que dura uma vida. Há quem diga que é uma
utopia, há quem diga que isso se perde no tempo. Sei bem o que sinto,
conheço bem essa felicidade que me invade ao escutar um “eu te amo” ou
uma música que tudo faz lembrar. E eu vou ser eternamente um ser que
vive neste infinito finito, que não cabe em mim e transborda para ti.
Finito que pode acabar ao virar a esquina, mas que vai viver aceso no
peito esquerdo. Queimando, amando.
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