quinta-feira, 31 de maio de 2012

Queria que você morasse na minha rua, em frente a minha casa.” Eu 
fugiria
 no meio da noite pra te visitar. Jogaria pedrinhas na sua janela até você 

acordar e me deixar entrar. Conversaríamos e riríamos aos sussurros pra 


ninguém ouvir, embaixo das cobertas. E eu só iria embora ao amanhecer. Iria 


pra minha casa, trocaria de roupa e voltaria logo em seguida, uma meia-hora 


depois, te chamando pra tomar café. Diria “senti tanta saudade” quanto te 


encontrasse, mesmo tendo te visto minutos atrás. Quer dizer, eu sentiria sua 


falta antes do beijo de despedida, mas mesmo assim. Nos dias em que não 


desse pra fugir pra tua casa, eu te ligaria, só pra não perder o costume de 


passar a madrugada falando com você. Às vezes faltaria assunto, nós 


ficaríamos em silêncio, e eu sorriria comigo mesmo no escuro tendo a certeza 


de que eu seria feliz o resto da vida só por ouvir sua respiração. Assistiríamos


 um filme todo sábado. Um dia no cinema, outro em casa, como um ritual de 


casal. Em casa, discutiríamos o filme todo sobre os personagens e você 


brigaria comigo por eu dar risada nas partes tristes ou assustadoras. No 


cinema, eu não te deixaria assistir. Uma parte do tempo estaria te 


provocando, na outra você estaria me reprendendo por eu jogar pipoca nas 


pessoas sentadas na frente de nós e o resto eu passaria te beijando. Nas 


paredes do meu quarto, teriam fotos tuas, fotos nossas espalhadas. A foto de


 tela do meu celular seria você sorrindo e meu plano de fundo do computador 


também. Você diria que aquilo serviria pra me fazer não te esquecer, e eu 


pensaria comigo mesmo sobre como você é boba por pensar que eu te 


esqueceria por um segundo sequer. Um dia talvez até morássemos juntos. 


Você brincaria comigo sobre dormirmos em quartos separados, dizendo que 


não há amor no mundo que te faça suportar meus roncos. Eu diria que você 

também ronca e que qualquer dia usaria uma câmera pra provar meu 


argumento. Compraríamos uma secretária eletrônica e discutiríamos sobre 


quem gravaria a mensagem. No final, gravaríamos os dois juntos. No meio da 


gravação, começaríamos a discutir. Nossos amigos iriam nos questionar sobre 


a mensagem, e nós apenas riríamos. Tiraríamos um fim de semana pra mudar 


a cor das paredes. Você brigaria comigo o tempo todo, tentando me fazer 


entender que eu não posso pintar as paredes na diagonal, e eu responderia 


dizendo que a parede era minha, portanto eu faria o que quisesse com ela. 


Você bufaria, comentaria sobre o quanto eu sou insuportável e daria as costas

 pra mim. Eu sorriria e sujaria teu cabelo com tinta. Começaríamos uma 


guerra, e no final não sobraria tinta o suficiente pra acabar as paredes.Aliás, 


viveríamos em guerra. Guerra de comida, guerra de travesseiro, guerra 


pra saber quem ama mais. Essa última guerra, eu não deixaria você ganhar. 


(…)

Nenhum comentário:

Postar um comentário