quinta-feira, 10 de maio de 2012
“Não existe nada mais triste do que essas coisas de dar a volta por cima
e essas coisas de tocar o barco e essas coisas de sacudir a poeira e
essas coisas medonhas que a gente fala ou pensa ou ouve. A tristeza são
frases vazias e feitas e tediosas saindo de bocas vazias e feitas e
tediosas. A tristeza é dizer que são cinco dias, são seis dias, são sete
dias. A tristeza é a nossa última vez juntos fazendo quinze dias,
dezesseis dias, dezessete dias. A tristeza é o amor ter acabado sem ter
acabado. É não saber o que é amor e não saber o que é acabar e não saber
o que é não acabar. Hoje elegi o mais triste de tudo. É o banquinho que
guardava a sua bolsa de carteiro e que não guarda mais nada. Ele agora é
só o que era mesmo pra ser: um banquinho. Limpo, solitário, imponente,
em sua nobre função de banquinho. Sua triste, desgraçada, branca, idiota
e livre função de banquinho. ”
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