quinta-feira, 12 de janeiro de 2012


Queria apenas uma garota para mimar, para educar, ensiná-la a como se livrar de mãos espertas. Uma garotinha que seria apelidada de Dani California. Queria apenas uma garotinha que pudesse levar nas costas, que sorrisse para mim todas as manhãs e não deixasse de falar comigo apesar de estar com raiva. Uma garota pra quem eu quisesse e fizesse promessas sem esperar muitas cobranças além de que eu não a esquecesse nunca. Uma garotinha pra quem eu daria todo o meu amor e parte também do meu dinheiro. Uma garotinha pra quem eu leria meus livros infantis favoritos e meus CD’s de um outro século, uma outra época. Uma garotinha pra colocar no mundo, dar rosas à ela em seu primeiro aniversário adolescente, e de impedi-la de qualquer contato masculino. Uma garotinha a quem eu dedicaria minha vida, sem esquecer de vivê-la. Uma garotinha a quem eu levaria às viagens, contaria alguns casos de amor e quando ela tivesse idade suficiente, leria meus livros e teria vergonha do pai larápio. Uma garotinha que um dia me deixaria, mas ainda assim amar-me-ia incondicionalmente, sem se deixar levar pela distância de nossos corpos, mas sim ignorando as barreiras que o mundo nos impunha. Uma garotinha pra chamar de minha, pra cuidar como nunca souberam cuidar de mim. E escutar teus anseios, tuas curiosidades, tua TPM e com orgulho, sorrir pra ela todas as manhãs, olhá-la de longe e ao vê-la se afastar, com a idade que fosse, iria continuar sendo minha linda garotinha.
Guilherme Hotto

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