Queria apenas uma garota para mimar, para educar, ensiná-la a como se
livrar de mãos espertas. Uma garotinha que seria apelidada de Dani
California. Queria apenas uma garotinha que pudesse levar nas costas, que
sorrisse para mim todas as manhãs e não deixasse de falar comigo apesar de estar
com raiva. Uma garota pra quem eu quisesse e fizesse promessas sem esperar
muitas cobranças além de que eu não a esquecesse nunca. Uma garotinha pra
quem eu daria todo o meu amor e parte também do meu dinheiro. Uma
garotinha pra quem eu leria meus livros infantis favoritos e meus CD’s de um
outro século, uma outra época. Uma garotinha pra colocar no mundo, dar
rosas à ela em seu primeiro aniversário adolescente, e de impedi-la de qualquer
contato masculino. Uma garotinha a quem eu dedicaria minha vida, sem
esquecer de vivê-la. Uma garotinha a quem eu levaria às viagens,
contaria alguns casos de amor e quando ela tivesse idade suficiente, leria
meus livros e teria vergonha do pai larápio. Uma garotinha que um dia me
deixaria, mas ainda assim amar-me-ia incondicionalmente, sem se deixar levar
pela distância de nossos corpos, mas sim ignorando as barreiras que o mundo
nos impunha. Uma garotinha pra chamar de minha, pra cuidar como nunca
souberam cuidar de mim. E escutar teus anseios, tuas curiosidades, tua
TPM e com orgulho, sorrir pra ela todas as manhãs, olhá-la de longe e ao
vê-la se afastar, com a idade que fosse, iria continuar sendo minha
linda garotinha.
Guilherme Hotto
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