Não sou a mesma de antes. Sigo solitária, sozinha e esperando alguma luz para
recomeçar, para voltar a ser o que eu sempre fui. Mas como
voltar a ser o meu eu anterior, sem o que fazia parte de mim antes? Não é possível
reconstruir um sonho sem a metade dele, sem a metade mais importante que lhe
falta.
Lembro-me das minhas palavras, dos meus choros, perdoe-me se não lhe
soaram sinceros, eu digo que foram. Minhas palavras nunca mentiram, meu choro
sempre foi sincero, sim.
E agora eu sigo, simplesmente porque tenho que
seguir. Lamentando a sua falta, lembrando do lugar que tantas alegrias já me
deu. Por sorte eu tenho pessoas que me amam, que me apoiam, mesmo que algumas
não gostem de mim. Talvez agora eu veja a caminhada da vida mais de leve, apenas
um caminho reto e sem muitos empecilhos, mas sigo o caminho reto. Sem muitas
emoções, embora a tristeza pese em meu coração.
E mesmo sabendo que
acontecerá, que a qualquer momento você baterá em minha porta talvez com
lágrimas nos olhos, para um último adeus, eu ainda não posso aceitar a ideia. Eu
sim já me vejo deitada em seu ombro, chorando as minhas tantas mágoas, as minhas
incontáveis lágrimas, os meus inúmeros choros. Calculando, ou melhor dizendo,
tentando calcular a falta que você me fará… Até quando aguentarei? Até quando
olharei para os seus olhos cor de mel e suportarei o fato de que em breve, eu e
você estaremos longe um do outro? Algo me dá forças, mas ainda não descobri o
que.
De qualquer forma, quero agradecer por ter essas forças, porque elas me
mantêm de pé, me suportam e aturam a minha angústia.
E eu vou sobreviver. Eu
prefiro acreditar que é apenas um momento a mais, na verdade, alguns momentos a
mais. Algumas tristezas que deveriam ser sofridas, e que se não fossem essas,
seriam outras provavelmente piores
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