sexta-feira, 16 de dezembro de 2011


Eu sou apenas alguém
ou até mesmo ninguém
talvez alguém invisível
que a admira a distância
sem a menor esperança
de um dia tornar-me visível
e você?
você é o motivo
do meu amanhecer
é a minha angustia
ao anoitecer
você é o brinquedo caro
e eu a criança pobre
a menina solitária que quer ter o que não pode
dona de um amor sublime
mas culpada por te querer
como quem a olha na vitrine
mas jamais poderá ter
eu sei de todas as suas tristezas
e alegrias
mas você nada sabes
nem da minha fraqueza
nem da minha covardia
nem sequer que eu existo
é como um filme banal
entre a figurante e a ator principal
meu papel era irrelevante
para contracenar
no final.

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