sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Mil Faces
Quem é você? Será aquilo que vejo ou é o que faço questão de ignorar por temer descobrir? Aqueles gestos eram seus ou de um teu entre tantos outros que lhe dividem os humores? As palavras saíram de seus lábios ou de uma de suas mil faces? E este amor que destino à ti, é de um ou de todos? Admiro com os olhos fechados, e nesse momento, passa a ser guardião de milhares - como uma gaveta, guardando dezenas de cartas de um só destinatário. Ao escancarar as pálpebras, desatar as pupilas, vejo rostos e ações de seres distintos num só corpo. Me fascinam, me encantam, me amedrontam me desperta fome e desejo. Pergunto-me por qual destes seres meu corpo congela, qual toque anseio. Seria o ranzinza, com o cenho franzido e olhar de moço sério e indiferente? Encanta-me. Seria o amoroso, com cafuné tranquilizador e braços macios? Encanta-me. Seria o conquistador, com sorriso arrogante e camisa desalinhada após longo beijo? Encanta-me. Encantam-me. Se tiveres mil faces, por mil serei eternamente apaixonada. Com seus trejeitos, afetos e contradições, encantam-me. Olhar teu rosto pálido na escuridão, os cabelos bagunçados e a camisa amassada por tantos abraços que lhe dei enquanto repousava, só me fazia sussurrar ao pé do ouvido: Encanta-me. Tem faces diversas. Tem crueldade em sua sobrancelha cética erguida e doçura em seu olhar de menino inocente. Tem descaso nos lábios apertados e graça no riso que tenta - sem sorte - reprimir. Tem a alma de mil mundos entrelaçada num corpo só. Tem a face de mil homens destinados à uma só mulher. E caberá a ela decifrar um pouco todos os dias, sedenta, descobrindo cada detalhe na aventura de amar. Você é muitos dentro de um, e tantos são que ouso afirmar não ser apresentada à metade. E penso não haver apenas amor de um só, pois todos - mesmos os desconhecidos - despertam doçura de amor. E se mil faces tiveres, mil faces amarei
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário