terça-feira, 6 de setembro de 2011

Se tudo der certo'' obrigado mamãe"


Seu filho um dia vai entrar na faculdade, ou sair de casa para morar sozinho, ou mudar de país, ou viajar com um amigo que tem pais que têm valores diferentes dos seus. E aí? Seu filho vai se apaixonar, namorar, beber, fazer papelão, mandar SMS de madrugada para gente que não deve. Vai fazer eventuais conversões proibidas no trânsito, vai levar um multa injusta, vai sofrer com uma rejeição. Se tudo der certo.
Por isso eu digo, de pessoa pra pessoa, por favor diga mais “não” para as crianças. Às vezes não aplauda. Porque no futuro, o seu “mini-você” vai ter que sair pelo mundo (se tudo der certo) e não mais será medido pela amável régua materna. E aí tem gente que dobra, tem gente que cresce, tem gente que se esforça mais e tem gente que quebra. E quando a gente menos espera vem uma rejeição, um tombo.
Quais as ferramentas que seu filho tem para fazer manutenção de própria vida? Sim, é sua obrigação armá-lo de um canivete suiço emocional.
Talvez ele não torça pro seu time de coração, talvez prefira curling a futebol, talvez seja demitido, talvez uma vez não devolva o troco a mais que veio no delivery da pizzaria. Pode acontecer. E não é o apocalipse chegando.
Talvez assine a revista Veja e assista o canal de leilão de bois - tomara que não.
Criação de filhos é um contrato sem garantias, leonino e irrescindível, coisa que só alguém cego de amor aceitaria assinar. É lembrar da virose dos 3 anos, da micose dos 6, da cárie dos 9, dos 19 pontos dos 12, do flagra da mentira mal contada aos 14.
É torcer para você acordar aos 60 e descobrir que você criou a pessoa mais legal que você conhece.
Se tudo der certo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário